O texto abaixo deveria constar no primeiro boletim mensal da rádio comunitária do Campeche, mas acabamos nos enrolando para soltar… Estava previsto para maio, mas agora está sem previsão. Seria um desperdício não tornar público o relato do Rubens sobre o início da temporada da pesca da tainha.  Tomo a liberdade de socializar…

Pesca da Tainha, os olhares mais uma vez se voltam para o mar do Campeche.

Maio de 2010

Dia primeiro de maio, manhã no rancho de canoa do “Seu Getúlio”. Dia lindo de sol e mar calmo, já se vê movimentos de pessoas na praia do Campeche. Além de ser dia do trabalhador, naquele dia também se celebrou a abertura da Pesca da Tainha deste ano, com a tradicional missa para abençoar os pescadores e pedir ao grande deus para se ter uma boa pescaria.

Dentro do rancho, que nos dias normais é o lugar onde se guardam o barco e os apetrechos de pesca, numa mesa farta, foi servido um café-da-manhã para a comunidade. Além de ser um reduto de pescadores o rancho de canoa também é cultura, lá acontece o projeto “Música no Rancho da Canoa”, promovido peloa Associação de Pescadores, que está formando moradores da comunidade para serem futuros músicos. Este ano a comunidade do Campeche teve a alegria de receber companheiros e companheiras de outras comunidades como Garopaba, Bombinhas, Ingleses… e entre os presentes um em especial alegrou o dia: “Seu Tito”, velho pescador lá de Garopaba, que com sua sanfona encheu de música nossa praia. Tivemos também a presença da Banda de Amor a Arte que todos os anos toca nestes momentos de encontros humanos.

A Pesca da Tainha na comunidade do Campeche é feita a remo e de forma artesanal, um dos poucos lugares que ainda preserva essa tradição. Os pescadores entre um emaranhado de linha, agulhas e bóias trabalham fazendo a rede e consertando a “Glória” (nome carinhoso da canoa) quando preciso. Ali, eles se reúnem e se preparam para o grande momento do ano, que marca início dia 15 deste ano. Nas dunas, os vigias já olham para o mar à espera da visão pré-anunciadora de fartura, quando aparecer o “capote” balançando no ar num gesto que todos anseiam e conhecem! Será chegada a hora, Tainha! Tainha! Tainha!

Na praia se fará aquele movimento primeiro, a sacudida da Canoa, pés se agitando na areia, braços levando firmes a Glória para o mar que acolhe em seu interior as redes e os pescadores que trarão o alimento para a comunidade…

P.S. farinha para o pirão e um mar bom…

Do Campeche,

Rubens Lopes (repórter comunitário).

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